Páginas

21 janeiro 2010

Makes me happy...

Foram 37 as pessoas isoladas que adoptaram uma criança em 2009 - 25 mulheres e 12 homens, homossexuais ou não.

"Adoptei o meu filho e ninguém me perguntou se era homossexual. E eu achei que havia coisas mais importantes para dizer. Soube depois que as técnicas conheciam a minha orientação sexual, mas não era isso que tinham de avaliar. Tinham de avaliar as minhas capacidades como pai, fui considerado pessoa idónea. Não são os políticos que têm de avaliar as minhas capacidades. Deixem isso para os técnicos: assistentes sociais e psicólogos."

Mário (nome fictício) pertence ao grupo de pais adoptivos que adoptaram uma criança em Portugal a título individual. Em 2009 foram 37 os que recorreram à adopção para concretizar o desejo de ser pais. Ninguém lhes perguntou a orientação sexual. "Nem podiam", alertam os juristas.

A maioria daquelas crianças recebeu uma mãe, 25 mães no total. Viviam sós ou não revelaram se tinham companheiro ou companheira. E o mesmo aconteceu com os 12 pais adoptivos homens.

Mário vive no Norte e foi pai há sete anos, tinha 37. Candidatou-se a uma criança que não estivesse em idade escolar e recebeu o Duarte (nome fictício) com três anos, um menino que mal falava e desconhecia muito das coisas que encontrou na nova casa, incluído alimentos. Recuperou depressa. "É brilhante, muito sociável", diz o pai babado.

O homem só tem boas referência da instituição onde se encontrava a criança, a Casa do Caminho", e de como foi atendido. "O processo foi relativamente rápido. Fui acompanhado por uma psicóloga e uma assistente social excepcionais", conta.

A única vez em que sente que a sua orientação sexual foi questionada foi já no tribunal, no momento em que o juiz decreta a adopção definitiva. Este terá dito qualquer coisa do género: "É jovem. Vai ter pessoas a entrar e a sair do seu quarto. Como é que é?"

"Disse-lhe que ninguém entrava e saía do meu quarto, com excepção do meu filho. Que não tinha ninguém, mas que esperava apaixonar-me porque seria mais feliz, o que só iria beneficiar o meu filho", esclareceu.

Um ano depois apaixonou-se e o Duarte passou a ter dois pais. Facto que uma vez motivou a declaração do filho numa aula: "Tenho dois pais e são gays". A professora respondeu que falariam das famílias num outro dia e os colegas disseram-lhe que não precisava de contar isso.

Os professores, os amigos - que frequentemente recebe em casa -, os pais dos amigos, os vizinhos, etc., encaram a situação com naturalidade, diz o pai. Ele e o companheiro vão ambos às reuniões da escola, fazem parte da associação de pais, e o segundo pai até já presidiu à estrutura. "Somos uma família feliz!", reforça o Mário.

Mário quer adoptar outra criança. "Não somos a favor do filho único", revela. Mas esperavam poder casar-se para o fazerem. "Seria uma injustiça para o meu filho, e para nós enquanto casal, se o fizesse individualmente", justifica. Mas só casarão se for possível a adopção. E sublinha: "Conheço muitos casais que não vão casar para poder adoptar."


Cada dia que passa sou um maior fã do DN ! Já o tenho no facebook e tudo.

5 comentários:

Narciso disse...

Já fui "pai" 3 vezes e a melhor experiência de vida é criar uma criança, acordar a meio da noite todos chateados para lhes ir alimentar, brincar com eles e fazer palhaçadas, assistir aos primeiros passos, às primeiras palavras, as gargalhadas sinceras e inocentes, ninguém deve ser proibido de ter tal experiência. Existem tantas crianças vítimas de maus tratos, a passar fome, entre outras coisas mais graves como pedofilia. Essas crianças merecem uma casa acolhedora, não importa se o adoptante é homem ou mulher, homo ou heterossexual, se é preto ou branco ou amarelo ou às pintas.

O que deve ser tido em conta é o ambiente que vai ser proporcionado à criança, se as pessoas têm condições para as criar. Tudo o resto são meros preconceitos e entraves por pessoas que não têm mais nada que fazer na vida do que ir a jantares e mandar uns bitaites de vez em quando (políticos).

Barrigas de aluguer nunca irei recorrer, dá sempre para o torto. Relação com uma mulher poderá ser uma hipótese, mas muito remota no momento pois vejo-me a viver e a partilhar a minha vida com um homem, mas se tiver que escolher entre ter um companheiro ou adoptar uma criança, escolho os dois.

Narciso.

O meu blogue está a aprender com o teu disse...

O DN chegou, em muitos casos, a ser percursor deste tipo de reportagens antes de ter o sonho de se transformar num Correio da Manhã em versão light.
Mas agora parece estar outra vez a retomar uma linha um pouco mais séria.

Abraço.

Little John disse...

Alguem ensine a ser sério ao Público:P

pinguim disse...

Eu não leio jornais a não ser ocasionalmente e pelas amostras que vejo, o 24 horas é um nojo, o Correio da Manhã, quase outro, o Público não é um nojo, mas mete nojo e o DN parece ser o mais equilibrado. Sobre o Y tenho lido boas referências.
Quanto à adopção, mais tarde ou mais cedo vai ser uma realidade para todos os casais, hetero ou gays desde que preencham os requisitos necessários para o bem estar da criança.
Abraço.

A do giz disse...

A lot!