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07 abril 2011

O Último Comboio de Hiroxima


Tsutomu Yamaguchi era um homem que via nos outros a raiva e o ódio e se empenhava na cura dessas emoções; que via a ignorância e procurava transformá-la em sabedoria; que via o aproximar do desespero e procurava dar esperança aos que por ele se deixavam apanhar.
Conheci o senhor Yamaguchi apenas brevemente, mas o suficiente para perceber que a aprendizagem que se pode retirar da convivência com outra pessoa não se mede pela sua duração. Se um homem que sobrevive tanto à bomba atómica de Hiroxima como à de Nagasáqui pode escapar de tamanho horror e acreditar na nobreza fundamente da vida humana, não seremos nós que poderemos deixar de fazê-lo. Impondo-se pelo exemplo, o senhor Yamaguchi acreditava que se uma pequena parte da humanidade seguisse um único mandamento - sê bondoso -. tal procedimento se propagaria de pessoa para pessoa como um vírus, acabando porventura por mudar a vida de alguém que, na fora isso, poderia vir a fazer algo de horrível no futuro.

Este livro promete.

18 março 2011

Reis Que Amaram Como Rainhas


António Conti, filho de um mercador italiano, conquistou o coração de D. Afonso VI que gostava da presença de rapazolas, lacaios, escravos negros e mouros que foram deixando no leito real o aroma de exotismo. D. Pedro I ficou para a história como o amante viril de D. Inês de Castro, mas Fernão Lopes deixa clara a relação com o seu sensual escudeiro e a amizade com outros cavaleiros. Fernando Bruquetas de Castro conta-nos a história de imperadores, reis, políticos, membros da Igreja e das universidades que, ao longo dos séculos viveram a sua sexualidade de forma livre, contudo presa a simulações e a jogos de poder. Através destas personagens da vida pública de todos os tempos, este historiador conta-nos a história da homossexualidade, tantas vezes ocultada ou contada com muita timidez pela historiografia tradicional. Da amizade entre Gilgamés e Enkidu, ao desespero de Aquiles por Pátroclo, do apaixonado Alexandre que enlouqueceu com a morte do seu amado Hefestión, ao general Júlio César que procurava bonitos escravos em cada terra que conquistava, de Ricardo Coração de Leão que sucumbiu aos encantos de um trovador da corte, do delicado Maximiliano, imperador do México que viveu uma dolce vita e cuja morte em frente a um pelotão de fuzilamento continua envolta em mistério, ao famoso duque de Windsor que se deixou seduzir por Wallis Simpson e por um atractivo milionário norte-americano.

Não é nada mais nada menos do que a história da homossexualidade através das personagens mais influentes do seu tempo, Reis ou não. Tem uma escrita um bocadinho complexa e demasiado intelectual para o meu gosto, mas foi inevitável devorar personagem a personagem com o interesse de uma velha alcoviteira cujo clímax do dia é ouvir a fofoca mais elaborada. 

Simplesmente adoro a forma livre como muitos viveram a sua homossexualidade enquanto que outros, tristemente, tiveram de a reprimir devido à hipocrisia vivida no seu tempo. No entanto, alguns casos são inspiradores! Outros simplesmente românticos e impressionantes. 

Quero ser um Rei e amar como uma Rainha. Pff.